Publicado por: vicabel | Dezembro 2, 2009

A polêmica do editorial de ZH: chuvas e colaboração

Editorial publicado no Blog do Editor e na página 2 de Zero Hora exaltou o auxílio dos colaboradores e gerou polêmica.

Tarde do dia 19 de novembro de 2009. Ventos, chuva e destruição formaram o cenário de Porto Alegre, a capital gaúcha.  A mesma situação se estabeleceu nas demais cidades do Estado do Rio Grande do Sul. A primavera marcada por tempestades foi testemunhada e registrada pela mídia jornalística e por amadores. Uma série de relatos e de imagens enfatizando os estragos provocados pelas condições climáticas foi publicada nas redes digitais.

Blogs, redes sociais como o You Tube e o microblog Twitter serviram como espaços para a manifestação dos leitores/interagentes. As seções colaborativas, disponíveis nos jornais digitais de referência, também complementaram o quadro de informações sobre os temporais. O público descreveu os fatos ocorridos naquela data, ao mesmo tempo em que os jornalistas constituíram narrativas sobre os mesmos acontecimentos. Distintos pontos de vista encontraram lugar para a publicação na Web.

Nos veículos jornalísticos vinculados ao Grupo RBS, entre eles o jornal digital Zero Hora.com, os conteúdos profissionais e colaborativos acabaram se complementando. O processo formou relatos coletivos sobre a realidade, mediante a apropriação que o meio jornalístico fez dos materiais encaminhados por amadores. A partir de convites postados pela equipe do jornal digital, textos, fotografias e vídeos captados e enviados por colaboradores foram aproveitados na cobertura geral realizada pelo meio.

O fato foi destacado como positivo na sessão Cartas do Editor de Zero Hora, disponibilizada no meio impresso e no Blog do Editor, no dia 21 de novembro de 2009. O artigo “Leitores também iluminam a cena”, escrito pelo diretor de redação do jornal, Ricardo Stefanelli, salientou a dinâmica de trocas que foi estabelecida com o público na ocasião das enxurradas. O fato foi descrito da seguinte forma:

“Acostumados a lidar com o público, que cada vez mais ajuda na produção do conteúdo, os veículos da RBS viveram uma tarde diferente na quinta-feira, quando o Rio Grande anoiteceu às 12h50min. O coordenador de Jornalismo da Rádio Gaúcha, Cláudio Moretto, se preparou para mais uma cobertura de temporal em sua rotina, acionando como de hábito as equipes de reportagem. Não seria bem assim. Aos poucos, percebeu que a emissora ganhava uma ajuda externa mais encorpada do que de costume. O canal de voz com os ouvintes teve de ser ampliado em mais três ramais, tão logo foi aberto ao público. Os relatos chegavam com a mesma intensidade dos ventos. Por telefone, torpedos, e-mails e Twitter. A intensidade exigia uma providência (…) Era preciso organizar e processar tantas informações. Enquanto repórteres e produtores telefonavam para polícias, bombeiros, hospitais e prefeituras, o público mostrava que, desde os locais mais atingidos, podia fornecer relatos mais fiéis”. (STEFANELLI, 2009, http://wp.clicrbs.com.br/editor/2009/11/21/leitores-tambem-iluminam-a-cena/?topo=13,1,1)

O editorial salientou a relevância das colaborações para a complementação do trabalho realizado pelas equipes de jornalismo dos meios ligados ao Grupo RBS. Destacou, entre outros fatores, a importância dos conteúdos amadores para a abrangência e a atualidade da cobertura daquele evento. Nas palavras de Stefanelli, “só o público podia estar naqueles locais, naqueles momentos – e quem compreender e interpretar isso poderá oferecer um jornalismo cada vez mais amplo”.

O tom otimista do texto gerou polêmica entre os leitores. A partir de comentários feitos por interagentes no Blog do Editor, criou-se uma discussão que mostrou, de certa forma, a indignação do público com a abordagem escolhida por Stefanelli para ilustrar a questão dos temporais no Estado. A insatisfação pode ser observada no comentário a seguir:

“QUE ALEGRIA!!!! UMA TRAGÉDIA!!!! É de espantar… fiquei pasmo… abri a segunda página de ZH e lá vi… uma tragédia no estado … nunca vista antes… 3 fotos… quanta alegria… pessoas morrendo… É de assustar … e a nossa “querida zero hora” publica fotos de leitores que ajudaram na reportagem… felizes… OHHH.. QUANTA ALEGRIA….”

O ponto de vista do interagente foi apoiado por alguns leitores e foi criticado por outros, num total de nove comentários publicados entre os dias 21 e 23 de novembro. A observação abriu um debate que evidenciou mais que o descontentamento de alguns leitores sobre a perspectiva do editorial publicado em Zero Hora.

Ficou evidente a expectativa do público com relação à postura assumida pelo meio sobre um fato que teve consequências negativas para os gaúchos. O contrato de comunicação estabelecido com os leitores pode ter sido abalado. O editorial deixou de privilegiar questões pertinentes às necessidades do público prejudicado pelas chuvas para dar ênfase à realidade do próprio meio jornalístico, num discurso auto-referencial. Diante dos dados relatados, questiono: a ação de Zero Hora foi equivocada?

Pode ser que o enfoque do editorial tenha sido inadequado, visto a dimensão dos prejuízos provocados pelas chuvas no Rio Grande do Sul.  Apesar disso, é interessante perceber que foi exaltada a força da mobilização da coletividade nas redes digitais para que o meio realize coberturas cada vez mais completas. Fica cada vez mais evidente a tendência à reportagem compartilhada, que autores como Briggs (2007) chamam de Crowdsourcing, e mesmo ao que Anderson (2006) chama de movimento Pro-Am, a parceria entre profissionais e amadores.

O editorial publicado em Zero Hora impresso e no Blog do Editor, mais que criar polêmica entre os leitores, demonstra o reconhecimento de uma mídia jornalística de referência sobre a relevância dos conteúdos amadores para a sua publicação. É uma marca de que o auxílio do público está gerando bons resultados, que as manifestações amadoras não se perdem na imensa variedade de conteúdos disponíveis nas redes digitais. Os veículos jornalísticos estão aproveitando cada vez mais estes conteúdos, deixando-se influenciar e alterando as suas lógicas internas em busca da integração. Sinal de amadurecimento em tempos de convergência…

Publicado por: vicabel | Agosto 30, 2009

Acesso pago às notícias: tendência ou retrocesso?

Será que a retomada do acesso pago aos conteúdos dos jornais digitais é uma boa alternativa para a crise vivida pelas organizações tradicionais de mídia? O assunto é abordado em um artigo escrito por Gustavo Casadio, publicado no Portal Terra. No texto, a mudança é tratada como uma tendência entre as mídias de referência, que lutam para renovar as suas estratégias de captação de leitores e, obviamente, dos lucros. Mas os ganhos voltarão a ser como nos bons e recentes tempos da comunicação um-todos?chuva_de_dinheiro

Pode ser que o acesso pago às reportagens analíticas, mais trabalhadas e voltadas à exposição de assuntos específicos, seja interessante. Eis um trecho do texto:

“Pesquisa feita este ano pela consultoria PricewaterhouseCoopers aponta que os leitores veem as notícias do dia a dia, conhecidas como hard news, como commodities, algo que podem achar com qualidade similar tanto em veículos gratuitos quanto naqueles que cobram pela informação. Contudo, estes mesmos leitores estariam dispostos a pagar por um material premium, com matérias analíticas”.

Talvez seja uma medida providencial. Contudo, creio que, em meio à diversidade de manifestações e à riqueza de conteúdos hoje existentes no ciberespaço, talvez o acesso pago funcione apenas para reduzir drasticamente o número de acessos aos sites jornalísticos. Afinal, em meio às transformações provocadas pelo desenvolvimento crescente da inteligência coletiva, os veículos que não souberem reconhecer as novas linguagens e modelos da Web 2.0 podem acabar virando imigrantes digitais. Assim, permanecerão como estranhos num universo em que a integração é um processo necessário. Isso implica mais empenho inclusive na criação de táticas comerciais.

Indicar qual a arma mais eficaz contra o prejúízo das organizações midiáticas tradicionais, que tentam se adaptar às lógicas da comunicação digital há mais de uma década, não é uma tarefa fácil. Talvez o acesso pago seja uma tendência, ou talvez seja um retrocesso. O jeito é esperar e pagar – ou não – para ver..

Publicado por: vicabel | Agosto 25, 2009

O jornalismo digital está em nova transição?

Tem me chamado atenção as transformações dos conteúdos publicados pelos jornais digitais em meios externos. Meu artigo intitulado como ”Jornalismo digital e os efeitos da convergência: meta-informação, encadeamento midiático e a cauda longa invertida”, aprovado para apresentação na Intercom 2009, coloca a questão em pauta. No texto, destaco a mudança visível do formato das informações disponibilizadas por meios jornalísticos em espaços como o Twitter. O primeiro aspecto interessante, neste caso, é a publicação de pequenas chamadas para as notícias. Visto que o microblog só permite posts com até 140 caracteres, apenas meta-informações podem ser disponibilizadas no espaço, no máximo trazendo links que remetem aos textos completos.

Observando atentamente a situação, passei a me perguntar se a prática não demonstra mais uma alteração das características do jornalismo digital, a partir da apropriação dos diferentes recursos que surgem nas redes. A manifestação dos meios jornalísticos em sites externos implica a adequação dos veículos noticiosos aos formatos possíveis nestes espaços. Ora, isso não indica uma mudança de postura dos meios jornalísticos frente à realidade da Web 2.0?

Pensando bem, o movimento de apropriações requer a adaptação dos meios jornalísticos às regras dos meios externos. Afinal, não há como negar que as mídias de referência, numa ação estratégica para a captação de mais acessos, acabam migrando para outras páginas, mudando o formato das suas notícias e conteúdos para garantir presença nestes sites.

Não é possível dizer, ainda, quais resultados esse processo pode gerar. No entanto, é uma discussão interessante. Rumo ao Congresso da Intercom então!

Publicado por: vicabel | Julho 15, 2009

Férias agitadas

Este blog está um bocado desatualizado, eu sei… Mas, um dos privilégios dos blogueiros é definir a periodicidade do seu meio de acordo com as suas possibilidades de atualização. A correria de férias (sim, de férias, já que, neste período, doutorando prepara os trabalhos finais das disciplinas) ainda não me deixou preparar um novo post.

Em breve, pretendo falar sobre o tema do artigo que encaminhei para o Intercom. No texto, abordo a possibilidade de que o jornalismo digital tenha entrado numa fase de transição para a sua quinta geração. As marcas do processo serão expostas aqui somente depois da divulgação dos artigos aceitos para apresentação no evento.

Afinal, férias são boas para produzir artigos, não é? Mão na massa…

Publicado por: vicabel | Junho 18, 2009

Queda do diploma de jornalista – quem ganha com isso?

É com um pouco de indignação que acompanhei a aprovação do fim da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. O Recurso Extraordinário, que, segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), foi interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo, foi considerado procedente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi descrita da seguinte forma no site da FENAJ:

“Neste julgamento histórico, o TST pôs fim a uma conquista de 40 anos dos jornalistas e da sociedade brasileira, tornando não obrigatória a exigência de diploma para exercício da profissão. A executiva da FENAJ se reúne nesta quinta-feira para avaliar o resultado e traçar novas estratégias da luta pela qualificação do Jornalismo”.

É exatamente pela qualificação do jornalismo e da formação acadêmica dos jornalistas que devemos lutar a partir de agora. Os profissionais, que já demosntravam preocupação e dúvidas com relação à concorrência e à credibilidade das redes amadoras de informação, precisam desenvolver e mostrar seus diferenciais.

Qual é a importância dos jornalistas no circuito informativo da atualidade? De que maneira a relevância do seu trabalho pode ser reforçada e atualizada? Acho que a crise atual demonstra que devemos buscar respostas para perguntas como estas. Sim, o jornalismo precisa debater as suas bases institucionais e procurar entender o seu papel na realidade social.

A construção do blog “Fatos e Dados”, da Petrobras, e a polêmica gerada a partir da atuação de sua assessoria de comunicação no espaço, mostraram certo despreparo dos meios jornalísticos brasileiros com relação à atuação das organizações no ciberespaço. O fato – abordado de forma interessante no blog de Marcelo Träsel - revelou um aspecto que chama a atenção no comportamento das mídias de referência no país: a indisposição para lidar com a atuação das fontes profissionais no universo digital.

É fato conhecido que o jornalismo, os indivíduos e as instituições se desenvolveram de maneira distinta na ambiência digital. Assim, surgiram produtos como portais corporativos e horizontais, jornais digitais, blogs e os sistemas colaborativos, que potencializaram a formação de redes amadoras de informação.

No contexto descrito, as organizações continuaram desenvolvendo suas estratégias de comunicação, como já faziam na manutenção do seu relacionamento com os meios massivos. O processo marca a busca pelo fortalecimento do mútuo entendimento com o público no ciberespaço, a partir da apropriação dos modelos e das tecnologias de publicação e de difusão na web.

Uma das consequências disso é o desenvolvimento de diferentes formas de atuação das chamadas fontes profissionais, as assessorias de imprensa, na web. É aí que se encaixam manifestações como as que podem ser conferidas no blog da Petrobras, criado para divulgar o posicionamento da empresa sobre a CPI que investiga a sua administração e a sua atuação no mercado.

A iniciativa é válida sim, visto que demonstra o reconhecimento da rede como um espaço estratégico para a organização. Nesse sentido, pergunto se tem lógica o questionamento sobre a relevância da ação da Petrobras em rede.

Ora, cabe aos jornalistas a percepção de que, na atualidade, o processo de construção e de difusão das informações foi complexificado. Isso significa que é necessário conhecer melhor e saber lidar com os diferentes sistemas comunicacionais digitais, que modificaram e seguem alterando as formas de distribuição de conteúdos e notícias. Protestar contra a difusão antecipada de dados referentes a uma organização num blog, então, não é uma alternativa inteligente.

Os jornalistas precisam atualizar, além dos seus conhecimentos técnicos, suas estratégias de ação, seus modos de criação no ciberespaço. Assim, renovando seus métodos de trabalho e a sua própria visão sobre o potencial das fontes e da coletividade no referido contexto, terão condições de fortalecer as bases institucionais do jornalismo também na internet.

Publicado por: vicabel | Maio 21, 2009

Os blogs podem desaparecer?

Tenho acompanhado algumas discussões sobre a possibilidade de que os blogs, na forma como conhecemos e utilizamos, estão fadados ao esquecimento. Por qual razão? Simplesmente porque microblogs como o Twitter estariam desviando a atenção dos interagentes, a ponto de tornar obsoleto o seu modelo de comunicação.

Diante destas questões, também discutidas no Blog do GJOL, jornal The Independent, num artigo escrito por Andrew Keen, e no Master Digital Blog, entre outros, lanço um questionamento: será mesmo que os meios sustentados pela troca de metainformações possuem potencial para substituir um modelo tão interessante como o dos blogs, que se tornou símbolo da abertura dos pólos de emissão?

Posso estar equivocada, mas continuo achando (batendo na tecla) que um meio complementa o outro. Como um microblog poderia substituir um blog? Ainda ñ consigo visualizar tal fenômeno. A razão é simples: a partir do Twitter, por exemplo, o tráfego de muitos blogs é garantido, ou reforçado. Várias informações difundidas pelas mídias de referência são acessadas a partir das twitadas feitas por interagentes interessados.

Então, a afirmativa de que os blogs precisam ou que estão efetivamente se reestruturando em virtude disso não procede totalmente. Será que estou certa? Afinal, mesmo em modelos que permitem a criação de redes sociais alternativas, nos agregadores de ferramentas de publicação de conteúdos na Web, a possibilidade de organização de um blog está lá, disponível.

Não vejo como meios que oferecem discussões e conteúdos mais desenvolvidos podem vir a ser substituídos por microblogs. Pelo contrário: estes últimos potencializam o acesso aos blogs e demais páginas, a partir da indicação dos membros da rede social. Pelo menos percebo isso quando procuro a origem dos acessos deste blog nas estatísticas do WordPress. Sempre que anuncio novos conteúdos no Twitter, cresce o seu número de acessos.

Então, o que falar do temor sobre a decadência dos blogs? Concordo que eles podem e devem se atualizar, como vem acontecendo, porém não creio no seu desaparecimento.

Comentários?…

Publicado por: vicabel | Maio 5, 2009

Onde o jornalismo vai chegar?

Será que o jornal impresso está com os seus dias contados? Será que os meios digitais efetivamente têm potencial para suplantar a preferência dos leitores pelo consumo das notícias no suporte analógico? Algumas estatísticas divulgadas nos Estados Unidos revelam que este medo pode ter algum fundamento (ou será que não?).

É visível a mudança dos jornais impressos frente aos desafios e às oportunidades abertas no mercado da informação digital. Atualmente, além dos formatos tradicionais, podemos ver circulando informativos que investem em coberturas de caráter mais local, isto é, privilegiam a difusão de notícias relacionadas aos problemas de sua comunidade, que envolvem os seus potenciais consumidores.

Talvez investir em posturas como a citada possa ser uma alternativa interessante à virada dos jornais impressos, que no Brasil, ao que tudo indica, estão longe de acabar. Afinal, existe toda uma cultura de consumo dos meios impressos, hábitos que não serão simplesmente eliminados, substituídos por novas rotinas que surgem na ambiência digital. Então, o que acontecerá?

Como afirma Jenkins no livro “A Cultura da Convergência”, é essencial lembrar que os velhos meios comunicacionais não morrem. Eles são reinventados, reestuturados em novos ou diferentes suportes. Ou seja, as tecnologias de distribuição, como o autor mesmo explica, mudam. Os meios de comunicação, dessa forma, podem ser compreendidos como sistemas culturais. Referindo-se à historiadora Lisa Gitelman, ele faz a seguinte afirmação:

“Sistemas de distribuição são apenas e simplesmente tecnologias; meios de comunicação são também sistemas culturais. Tecnologias de distribuição vem e vão o tempo todo, mas os meios de comunicação persistem como camadas dentro de um estrato de entretenimento e informação cada vez mais complicado” (JENKINS, 2008, p.39).

Visto isso, percebo que, na dinâmica mutante da realidade social, é possível, sim, que o suporte impresso um dia não seja mais o preferido do público. Talvez as gerações que estão por vir considerem mais natural procurar notícias e os meios jornalísticos na Web.

O que não pode persistir, então, é o temor de que o jornalismo e seus fundamentos desapareçam, que a sua importância social acabe. Seus suportes e modelos poderão ser modificados, suas fronteiras poderão ser alargadas e suas rotinas poderão passar por alterações.

Onde o jornalismo vai chegar?

Publicado por: vicabel | Abril 25, 2009

Novo livro sobre o Twitter!

Está certo… eu sei… Há duas semanas não deixo posts neste blog. A vida corrida, o tempo para leituras e para a preparação de aulas da Pós-Graduação em Comunicação Digital da FEEVALE me afastaram da blogosfera. Mas eis a boa notícia: uma hora eu sempre volto! hehehe

Bem, hj, em meio às atividades que estou desenvolvendo com os alunos em laboratório, acessei o blog do GJOL e encontrei uma notícia interessante. Saiu um livro sobre o Twitter. Sim, o espaço comunicacional que está no topo das discussões das mídias de referência na atualidade.

 Os autores são Tim O’Reilly e Sarah Milstein. Vale a pena conferir.

Na sequência retomarei o ritmo de postagens. O blog segue aberto a contribuições!

Publicado por: vicabel | Abril 10, 2009

A parceria do jornalismo com o Twitter veio para ficar?

Existe diferença entre os meios informativos e os jornalísticos? Costumo refletir sobre esta questão quando tento definir quais as diferenças existentes entre ambos… É fácil explicar o motivo: não é necessário reduzir a relevância dos meios que não representam a instituição jornalística, porém é importante diferenciar cada espaço e cada tipo de prática.

Os sites que veiculam conteúdos jornalísticos, por exemplo, tem como características centrais a produção de notícias realizada por jornalistas profissionais, contratados e submetidos às regras internas de uma empresa de comunicação. Nos referidos espaços, é seguida uma linha editorial bem delimitada e são estabelecidos contratos de leitura com o público. Estes podem ser marcados, por exemplo, pela preferência à abordagem de assuntos específicos e, até mesmo, pela redação mais conservadora, isto é, a fidelidade aos modelos dos textos jornalísticos convencionais, tais como o lead e a objetividade.

Já os espaços informativos difundem conteúdos que podem ser elaborados tanto por amadores quanto por profissionais da informação. O formato do texto pode diferir visivelmente do padrão conhecido/tradicional do sistema jornalístico e as páginas que divulgam tais dados não precisam necessariamente manter alguma ligação com organizações jornalísticas. Bons exemplos são os blogs informativos, as páginas colaborativas e o próprio Twitter. Este último vem sendo utilizado como meio de troca constante de informações pelo público.

Detalhe interessante é que o Twitter vem sendo apropriado pelos veículos jornalísticos como meio de difusão de seus conteúdos. Zero Hora.com é uma das organizações jornalísticas que aderiu à ideia.

A imagem abaixo mostra como são as microchamadas realizadas pelo jornal digital no microblog:

Zero Hora.com anuncia seus conteúdos no Twitter.

Zero Hora.com anuncia seus conteúdos no Twitter.

Seria um diferente tipo de jornalismo este que vem sendo realizado no Twitter por jornais digitais como Zero Hora.com? Afinal, em muitas ocasiões, os textos não chegam a formar um lead completo. São como anúncios de conteúdo, metanarrativas sobre as informações publicadas no meio. Será que podemos classificar esta prática como uma nova possibilidade de ação para as instituições jornalísticas atuantes nas redes digitais?

A resposta ainda não pode ter aspectos definitivos, já que se trata de uma prática que foi iniciada recentemente. É esperar, conferir os demais meios jornalísticos digitais, e ver se a parceria com o Twitter vai se consolidar, efetivamente, como uma nova prática.

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